Mídia física ou digital: qual é a melhor opção?




A estante da sua sala tem tantos filmes e games que daria pra montar uma locadora? Seu quarto mais parece uma biblioteca? Ou você é daqueles que prefere a praticidade de ter tudo a poucos cliques de distância? Talvez um pouco dos dois?
Vamos discutir sobre as vantagens e desvantagens da mídia física e da digital. Vem comigo!



Os leitores mais velhos certamente vão se lembrar da época em que a Internet era algo muito mais intangível. Poucos eram os que tinham um computador pessoal, imagine acesso à rede. Num período de conexão discada, carregar uma simples página de blog como esta poderia levar alguns minutos preciosos.

Felizmente não vivemos mais na Idade Média da tecnologia. Hoje você pensa numa música e alguns segundos depois está ouvindo. Pouquíssimos são os que sequer cogitam ir até uma loja comprar um CD do seu artista favorito, a não ser que seja pra presentear alguém. O streaming também é uma realidade nos filmes e está cada vez mais perto de se tornar um novo padrão na indústria de games. Ocupar espaço na estante pra quê se eu posso ter acesso instantâneo à minha coleção?
Toda essa velocidade inevitavelmente trouxe um imediatismo pras nossas vidas. Vivemos em uma sociedade (não, não é uma referência ao Coringa) que não quer mais esperar. Se eu peço um lanche, eu quero PRA ONTEM! Se um jogo lança à meia-noite, quero estar jogando às 00:01. Ficamos mimados, mal-acostumados.


O livro de receitas da vovó


Compartilhar fotos e vídeos nas redes sociais é algo tão simples que perdeu-se aquela preocupação em guardar para a posterioridade. Os stories são um perfeito reflexo disso: quem viu, viu... quem não viu, não vê mais. Será que alguém ainda revela suas fotos? Antigamente os álbuns ficavam em gavetas, hoje ficam no Facebook.
Tudo e todos estão na Internet. Se eu não sei fazer lasanha, é só pesquisar rapidinho que eu aprendo. Não preciso pedir pra minha vó me ensinar, nem acordar cedo pra assistir ao programa da Ana Maria Braga.

É até curioso que muitos internautas não saibam escrever corretamente, afinal o que mais tem na Internet é TEXTO. Seja uma besteira que seu amigo disse no Twitter ou sua tia postando mensagem de bom dia no grupo da família. E tudo isso que eu falei foi apenas pra puxar um gancho pra nossa primeira pauta: por que os livros não deixaram de existir?

Afinal, não existe coisa mais simples que digitar um poema ou uma história e compartilhar com outras pessoas sem precisar imprimir. Já que os CDs e DVDs estão praticamente extintos, os livros, jornais e revistas não deveriam ter sido os primeiros a sumir? Numa geração que não se importa tanto com o palpável, fica difícil entender que ainda existam tantas livrarias, mesmo que as videolocadoras tenham sido praticamente extintas. Pra entender melhor tudo isso, pedi a opinião de uma especialista. Gabrielle Batista, a nossa @gabsbatista7 da equipe Pop Gear, é viciada em livros, principalmente os físicos.

"A minha preferência por livros físicos vem de muito antes de ter a versão digital. Eu criei apego porque era a forma como eu tinha proximidade com algo que era meu, uma vez. Quando o Kindle chegou no Brasil, junto com a Amazon, eu fiquei pensando muito sobre comprar ele pra poder testar livros e comprar o que eu gostava. E eu o fiz. Mas o meu desejo por ter algo físico e criar uma biblioteca, foi sempre maior. A vantagem é a questão de ter algo. No digital você pode baixar, ler e apagar. E isso torna tudo menos palpável. Tudo muito passageiro. E como amante de histórias, gosto de ter os livros ali. E eles me levam para lugares diferentes, então ter a oportunidade de reler tudo é sempre ótimo. A desvantagem maior do físico, além do preço, é o peso. Às vezes é desconfortável levar ele para os lugares que eu preciso, principalmente se for algo do Stephen King. Mas os digitais também tem desvantagens, como a pirataria que existe em diversos lugares e faz com que as editoras percam assim como os autores. Mas o legal do eBook é a facilidade de lançar gente nova com histórias boas no mercado, coisa que o mercado editorial tem dificuldades com os preços das publicações para o físico."

Você pode ler mais opiniões da Gabs sobre Literatura clicando aqui e aqui.


Cheirinho de novo




Quando se fala de Games, meu pensamento é bem parecido com o da Gabs. Precisei ouvir o posicionamento dela pra entender que, apesar de não me importar muito com livros físicos, meu sentimento para com a minha coleção de jogos é exatamente o mesmo. A sensação de tirar o game da embalagem, o barulhinho da capinha abrindo, o cheirinho... é indescritível. Além disso os jogos físicos tem valor intrínseco: podem ser revendidos e trocados. Comprar um jogo semi-novo num bazar por um precinho mais acessível só é possível graças à existência da mídia física.

Mas muitos são os jogadores que não se importam nem um pouco com isso, principalmente os mais novos. O que mais se vê nesta geração são pessoas que aderiram ao 100% digital (ou quase).
Existem diversos motivos para tal, mas quero explicitar alguns que fazem até com que um fanático por mídias físicas como eu pense duas vezes antes de adquirir um novo jogo:

  • Houve um tempo em que os games eram lançados completos. Pois bem, esse tempo passou. Hoje, praticamente todo jogo é lançado acompanhado de uma atualização que melhora alguns recursos ou até conserta defeitos que não foram corrigidos antes do lançamento.

  • Há casos ainda mais graves, como o de Call of Duty: WWII, onde a atualização é OBRIGATÓRIA para se jogar a campanha. Ou seja, mesmo que você tenha o disco, é impossível jogar sem fazer o download do arquivo de cerca de 9GB.

  • Se isso não bastasse pra provar que, querendo ou não, uma parte do game sempre vai ser digital, ainda temos as DLCs (downloadable content), que são conteúdos adicionais geralmente lançados meses depois para manter o título relevante por muito mais tempo. Um jogo de luta, por exemplo, pode ser lançado com 20 personagens e adicionar mais 10 posteriormente, que são vendidos separadamente através da loja virtual. Pois é, em casos como esse é impossível ter todo o conteúdo do seu game no disco.

  • Lembro do Super Nintendo, quando jogar era tão fácil quanto simplesmente introduzir o cartucho no console e ligá-lo. Hoje, não é bem assim que funciona. Ao colocar o blu-ray no seu PS4, o jogo começa imediatamente um processo de instalação, que pode durar alguns segundos, minutos ou até horas. Isso tira mais uma vantagem prática da mídia física.

Também quis ouvir a opinião de quem abraça a facilidade do conteúdo digital. Pra equilibrar as coisas, pedi a opinião do nosso redator Gabriel Amaral (@amaralxDD):

"Eu acho os livros digitais uma facilidade tremenda, principalmente com o Kindle. O reader facilita muito, ao invés de carregar muitos livros pra lá e pra cá eu só levo o dispositivo que é bem leve e ocupa pouquíssimo espaço. Antes eu tentei, através do Kindle Unlimited, ler livros pelo meu celular e odiei. Mas no Kindle me adaptei bem fácil e curti muito as funcionalidades extras, como: marcar, pesquisar tal palavra na Wikipédia ou num dicionário e por aí vai.
Eu elogio muito um livro digital pela facilidade, mas eu prefiro um físico mesmo. É bem irônico, mas eu amo a sensação de segurar um livro, deixar ele na estante. Porque dessa maneira parece que eu realmente POSSUO o livro. Somos acumuladores, né (risos)! Posso falar: "eu tenho tal livro no Kindle", e é muito provável que quando eu fale isso pensem que eu baixei de sites piratas e tal...
Mas quando eu falo: "tenho tal livro lá na estante", ninguém vai pensar que é pirataria. Ter o físico tem seus problemas né, como frete e o preço mais alto se compararmos à Amazon. Mas eu acho que vale quando lembramos que é a melhor maneira de demonstrar apoio a quem produziu."


VEREDITO



O objetivo deste texto nunca foi ditar regras e impor opiniões. Até mesmo quem ama as mídias físicas reconhece as vantagens do formato digital, e vice-versa. Ninguém melhor que você mesmo pra saber como gastar seu suado dinheirinho. A maior vantagem de todas é justamente ter opções!

Revisão: Mafe